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Faltam "estradas" para a energia solar em Portugal

O país descobriu a luz. Temos duas centrais fotovoltaicas sem subsídios a funcionar, há mais 35 que vão produzir até 2020 e os pedidos de licenciamento são às centenas. Falta é encaminhar esta luz até às nossas casas.

A Direção Geral de Energia e Geologia vai acumulando pedidos para construção de novas centrais de energia solar sem subsídios. Recebe propostas de 3 em 3 meses e só em setembro apareceram 81 novos pedidos.

O presidente da Associação de Energias Renováveis diz que é muita energia para a capacidade de rede instalada.

"Está tudo a ser feito ao contrário", afirma António Sá da Costa, "deveria haver um estudo faseado e um cronograma para construir as novas centrais onde haja disponibilidade de pontos de ligação à rede". Sá da Costa defende que só então faria sentido abrir concursos e atribuir as licenças de construção de novas centrais, por exemplo, a quem oferecesse preços mais baixos.

O Algarve e o Alentejo continuam a ser as zonas de maior aposta, no entanto já há pedidos de licenças para o norte e até para Lisboa, onde a autarquia quer construir uma central de energia solar, em Carnide, para abastecer carros elétricos.

Por agora, Portugal só usa a luz do sol captada no Alentejo, produzida nas centrais fotovoltaicas de Ourique e Estremoz, mas há 35 novas centrais sem subsídios aprovadas pelo governo que devem estar a funcionar ao longo dos próximos 3 anos.

"Tanto quanto sei, nos locais onde se pretende construir estas novas centrais não há capacidade de ligação há rede. E na maioria dos casos nem se sabe quando haverá", avisa António Sá da Costa.

Questionada pela TSF, a Secretaria de Estado da Energia reconhece que neste momento não há limite ao número de centrais fotovoltaicas a instalar no país, "desde que as condições e a capacidade técnica do sistema elétrico o permitam".

Contactada pela TSF, a REN (Redes Energéticas Nacionais), que gere o transporte da energia afirma que é ao governo que compete dar as licenças para centrais fotovoltaicas, à REN cabe garantir que a segurança e a qualidade da integração das fontes de energia renovável.

No início de 2018, a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) aprovou metade do plano de investimento apresentado pela REN - 474 milhões de euros para os próximos 5 anos.

Do lado do governo mantém-se o compasso de espera. João Galamba, o novo Secretário de Estado da Energia responde que o plano da REN está a ser avaliado pela Direção Geral de Energia e Geologia.

Tudo pode ficar mais organizado quando houver um esboço do Plano Nacional de Energia e Clima, uma espécie de mapa onde se traçam as metas para os próximos anos ou décadas e os vários caminhos para lá chegar. Um mapa que ainda não existe.

IN: TSF (5 novembro 2018)

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