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Iberdrola produz energia para 440 mil famílias em 2023

Há 1500 milhões de investimentos da Iberdrola em curso, que vão incrementar em 6% a potência instalada em Portugal.

A elétrica espanhola Iberdrola tem em curso um investimento global de 1,5 mil milhões de euros, um projeto hidroelétrico que integra a construção de três barragens e centrais hidroelétricas entre os rios Tâmega e Torno, e que estará em pleno funcionamento em 2023. Este sistema eletroprodutor é o único empreendimento em curso de aproveitamento hidrográfico no país e irá aumentar em 6% a potência instalada (ou em 1158 megawatt). Segundo responsáveis da Iberdrola, este é “um dos maiores projetos hidroelétricos levados a cabo na Europa nos últimos 25 anos”.

A dimensão da obra – duas barragens no Tâmega (Alto Tâmega e Daivões) e uma no rio Torno (Gouvães) –, o número de trabalhadores envolvidos na construção, que chegará aos 13 500 entre diretos e indiretos, o volume de materiais e equipamentos, e o desenvolvimento de três empreendimentos quase em simultâneo justificam que David Rivera, diretor do projeto, o descreva como “um dos maiores na Europa” nos últimos anos. Quando o designado Sistema Eletroprodutor do Tâmega estiver concluído, em 2023, fornecerá energia elétrica equivalente ao consumo anual de 440 mil lares (ou 1766 gigawatt/hora). A Iberdrola irá explorar o sistema durante 70 anos, sendo que nos primeiros dez receberá um incentivo ao investimento por cada megawatt instalado, valor que não foi especificado. O Banco Europeu de Investimento também aprovou um financiamento de 650 milhões de euros, dos quais já disponibilizou uma tranche de 500 milhões.

O projeto da Iberdrola, a principal produtora de energia eólica e uma das maiores concessionárias mundiais de energia elétrica, já leva um percurso de dez anos, desde que iniciou as negociações com o governo português. Neste período, arrancou o estudo de impacte ambiental e os vários trabalhos com vista ao licenciamento, foi assinado o contrato de concessão, que implicou o pagamento de 304 milhões de euros ao Estado e, em finais de 2014, iniciou-se a empreitada. Hoje está a 35% da execução total e, segundo os responsáveis, dentro dos timings estabelecidos.

Uma das particularidades deste projeto é a existência de uma central de bombagem, instalada em Gouvães (rio Torno), que permitirá armazenar energia em períodos de excesso de produção e gerir excedentes de fontes renováveis, como a eólica e a fotovoltaica. Embora não seja caso único no país, uma central de bombagem é, atualmente, a única forma capaz de armazenar energia de forma massiva. A título de exemplo diga-se que a capacidade de armazenamento em Gouvães permitirá o abastecimento contínuo de energia elétrica da Área Metropolitana do Porto durante 24 horas.

2019: O pico da obra

O próximo ano irá consagrar-se como o período de pico de obra. Nessa altura, o número de trabalhadores, que hoje se situam nos 1700, irá duplicar. David Rivera está consciente da dificuldade em encontrar mão de obra, num momento em que a economia está a crescer e o desemprego reduziu significativamente. Aliás, os trabalhos já estão a ser realizados com recurso a emigrantes. Os portugueses são a grande parte da força de trabalho, mas também há muitos espanhóis. O responsável admite que possa haver algum constrangimento no recrutamento, que está nas mãos das empresas a quem concessionaram as obras, e que podem até ter de recorrer a mão de obra estrangeira.

Para já, falta de trabalhadores não é um problema que se coloque. A construção está em linha com o planeado, com os esforços concentrados nas barragens e centrais hidroelétricas de Daivões e Gouvães, cujo término está aprazado para 2021. O projeto de Gouvães é o que se apresenta mais complexo, até porque integra a central de bombagem. As escavações das cavernas já terminaram, estando agora a fase de betonagem em plena execução nas cavernas central, de transformadores e no túnel de aspiração. Os trabalhos estão a decorrer em pleno coração da montanha.

Como sublinha a Iberdrola, o volume da caverna do aproveitamento hidrelétrico equivale a 25 piscinas. Este reservatório irá receber a água proveniente de Daivões, aproveitando os mais de 650 metros de diferença de altura entre os dois empreendimentos. A bombagem da água será feita quando houver um excesso de produção de energia – por exemplo, em dias em que o vento sopre a favor das eólicas e/ou o sol se faça forte no caso da fotovoltaica –, será armazenada no reservatório e transformada em energia quando for necessário. Este sistema garante que a barragem possa funcionar a 100% durante o verão, se necessário.

Em Daivões, que terá uma barragem em arco de gravidade, dado o perfil do vale, as escavações terminaram, encontrando-se em curso a montagem mecânica da central. Esta estrutura terá uma altura idêntica à Torre dos Clérigos, no Porto.

Na barragem do Alto Tâmega, a última a concluir (previsão de 2023), já está pronto o túnel de desvio do rio, que deverá entrar neste canal nas próximas três a quatro semanas, e as escavações caminham a bom ritmo, com bem mais de metade executadas. Neste projeto, a Iberdrola optou por uma infraestrutura em abóbada com 106,5 metros de altura, o equivalente à altura do Santuário Nacional do Cristo Rei.

Milhões de compensação

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega inclui um plano de ação socioeconómico, assinado pelas sete autarquias da região, que integra medidas de compensação no valor de 50 milhões de euros. As autarquias têm um bolo global de 24 milhões, dos quais já foram despendidos 13 milhões, para desenvolver projetos de interesse para o desenvolvimento local.

O plano de investimento 2018/22 da Iberdrola está estimado em 32 mil milhões de euros, com foco na área das redes e energias renováveis. O grupo espanhol foi responsável por um volume de vendas de 31,7 mil milhões de euros em 2017, exercício em que os resultados líquidos atingiram os 2,8 mil milhões. No final do ano passado, a Iberdrola tinha um valor de mercado da ordem dos 40,8 mil milhões.

IN: Dinheiro Vivo (30 setembro 2018)

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