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Norte já produz 44% da energia em Portugal. Maioria vem das barragens

A produção e o consumo de energia estão a aumentar no Norte. As centrais hídricas e eólicas têm impacto direto na economia local.

Só nos primeiros seis meses de 2018, a região norte foi responsável por 44% do total da produção de energia em Portugal (12 484 GWh de um total de 28 113) e por 49% do consumo nacional. Os dados a que o Dinheiro Vivo teve acesso são da REN – Redes Energéticas Nacionais e mostram um aumento significativo destes indicadores face a 2017, quando a produção de energia a norte não foi além dos 30% (16 476 GWh de um total de 54 546) e o consumo se ficou pelos 33%.

O grande destaque vai precisamente para a energia hídrica, com a região norte a acautelar 79% da produção (6661 GWh) entre janeiro e junho deste ano. No total do ano passado, que ficou marcado por uma seca extrema em Portugal, os 86 municípios nortenhos acautelaram, ainda assim, 74% da produção hídrica (5429 GWh).

Por ordem de relevância segue-se o gás natural (o Norte tem agora 45% da produção total nacional face aos 33% registados em 2017), a energia eólica (40%) a biomassa e o biogás (23%) e, por último, a energia fotovoltaica (apenas 1%).

De fora da região fica a energia produzida a partir do carvão nas centrais termoelétricas de Sines e do Pego, que o governo já prometeu extinguir até 2030. Também a EDP Produção, que concentra a esmagadora maioria das suas barragens a norte, confirma o aumento da produção de energia na região: de 5269 (em 2017) para 7095 GWh (só até julho de 2018). Nos primeiros sete meses do ano, a EDP produziu 3980 GWh de energia no centro e 4476 GWh a sul, disse fonte oficial da empresa.

Os números mais recentes da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), de maio de 2018, mostram que é também a norte que é gerada quase metade da energia produzida a partir de fontes renováveis (FER): 49,4% (13 804 GWh). “Mais de 84% da energia de origem FER ocorre nas regiões norte e centro do país”, sublinha mesmo o relatório da DGEG.

Quanto à potência instalada renovável total, o Norte destaca-se, com 55%, ou seja 7686 MW. Domina a hídrica, com cerca de 5000 MW, e a eólica, com 2000 MW de potência instalada, dizendo o restante respeito à biomassa e à energia fotovoltaica. Com uma produção de 5325 GWh, “a bacia hidrográfica do rio Douro foi responsável por 50% da produção hídrica” até maio de 2018, diz o último relatório da DGEG, acrescentando que em março de 2017 entrou em funcionamento a central de Foz Tua.

A “culpa” desta maior incidência das renováveis a norte, explica António Sá da Costa, presidente Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), é da “orografia, com mais montanhas e rios nesta região do país”. Além de gerar emprego e trazer benefícios económicos à região, a construção de novas barragens (como por exemplo as três novas centrais hídricas que vão nascer no Tâmega até 2023, na sequência de um investimento de 1500 milhões de euros da Iberdrola) e de novas centrais eólicas tem uma injeção direta de capital na economia local.

De acordo com o presidente da APREN, no caso das eólicas, os proprietários das centrais não só pagam rendas aos proprietários dos terrenos como ainda entregam 2,5% das suas receitas brutas às autarquias. No total do país, este valor ascende a 250 milhões de euros, sendo a grande fatia paga a norte do Tejo, onde se localiza 90% da potência instalada.

Quanto à energia solar, a norte tem ainda pouca expressão. “O sol está em todo o lado, mas o Alentejo, por exemplo, tem mais 10% a 15% de exposição solar do que Trás-os-Montes”, diz o responsável da APREN, defendendo, no entanto, que a corrida à energia solar que agora se verifica a sul, no Alentejo e no Algarve, “não irá ultrapassar a potência hídrica e eólica já instalada” no país.

Mas com o consumo de energia a aumentar no litoral e na região norte (3,6 milhões de habitantes e 35% da população portuguesa), diz Sá da Costa, é normal que a energia produzida nas centrais solares no interior sul tenha de viajar alguns quilómetros até chegar ao destino, o que exigirá mais investimentos na rede, argumenta.

IN: Dinheiro Vivo (2 setembro 2018)

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