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Irá o planeta dizer adeus ao carvão em 2050?

Dentro de 32 anos, 71% da produção global de eletricidade terá origem em energias renováveis, com a energia solar e eólica a serem responsáveis por quase 50% de toda a eletricidade consumida no mundo, segundo o New Energy Outlook 2018.

Uma das maiores ameaças à vida no planeta Terra como a conhecemos reside nas emissões de CO2. A solução passa pela adoção generalizada em toda a rede mundial de produção de energia nas chamadas energias renováveis caracterizadas por não emitirem CO2 na atmosfera. O futuro, embora incerto, parece risonho. Esta é a provavelmente a maior conclusão que se retira de um relatório intitulado New Energy Outlook 2018 (NEO), da agência Bloomberg.

Segundo o NEO, desde 1970 que o carvão, fonte de energia fóssil, tem contribuído com consistência entre 35% a 40% para a produção mundial de energia. Atualmente, representa 38% da produção mundial de energia e, nalguns países, como a China e a Índia, constitui 66% e 79% da energia produzida, respetivamente.

Mas em 2050, o carvão será o grande perdedor entre as matérias-primas de produção de energia: daqui a 32 anos, apenas 11% da energia mundial será produzida por carvão.

À cabeça das razões que explicam a diminuição do carvão na produção de energia, destaca-se o progresso tecnológico na indústria energética que, à semelhança de uma turbina, cria novas formas de produzir e armazenar energia, gera investimento e fomenta economias de escala. Tudo somado, as energias renováveis serão mais baratas de produzir e de consumir do que a energia fóssil.

A importância das baterias

Com a maior difusão dos carros elétricos, o NEO estima que o custo de produção das baterias de armazenamento de energia. Isto significa que se conseguirá continuar a produzir energia solar e eólica mesmo quando o sol não brilhar ou vento não soprar. As baterias também ajustarão o consumo de energia, evitando que esta se desperdice ao permitir armazenar a energia quando esta não está a ser consumida para somente ser utilizada quando for preciso.

Os custos de produção das baterias têm registado uma tendência decrescente, tendo baixado em 79% desde 2010 e têm um investimento previsto de 470 milhões de euros até 2050 no desenvolvimento desta tecnologia.

Adeus carvão?

Hoje em dia, dois-terços da energia mundial é produzida por energias fósseis e um-terço é produzido por energias renováveis. Daqui a 32 anos, este paradigma vai inverter-se. Em 2050, 71% da produção global de eletricidade terá origem em energias renováveis, com a energia solar e eólica a serem responsáveis por quase 50% de toda a eletricidade consumida no mundo. Por outras palavras, as energias fósseis apenas produzirão 29% da eletricidade mundial.

O NEO estima que quase 10 biliões de dólares (o número 10 seguido de 12 zeros) vão ser investidos no mundo inteiro para desenvolver infra-estruturas de produção e armazenamento de energias renováveis com cerca de 85% desse valor a ser canalizado para as energias solar e eólica.

Estima-se que até 2050, as economias mais desenvolvidas – que são também as maiores emissoras de CO2 – terão índices altos de energias renováveis na produção de energia. Na Alemanha, 84% da energia será proveniente de energias renováveis, o mesmo sucedendo com o Reino Unido (83%), enquanto nos Estados Unidos o carvão irá desaparecer. A China contará com 21% do total mundial de painéis fotovoltaicos (energia solar) e com cerca de um-terço de energia eólica (vento).

IN: Jornal Económico (27 junho 2018)

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