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ZERO diz que Governo está a exagerar nas expetativas de uso de biomassa para produção de energia

Cálculos da organização ambientalista mostram que não há biomassa florestal residual suficiente para alimentar novas centrais.

A associação ambientalista ZERO manifesta em comunicado preocupação quanto às necessidades de biomassa florestal residual decorrentes dos investimentos previstos em novas centrais de produção de energia elétrica, porque podem ultrapassar o potencial de fornecimento anual desta matéria-prima em Portugal, que estima rondar as 5,1 milhões de toneladas por ano.

A ZERO reconhece "a necessidade de diversificar as fontes de energia renovável", para Portugal "atingir as metas definidas nos compromissos internacionais de redução das emissões de gases com efeito de estufa". E recorda que o Governo anunciou nos últimos meses um ciclo de investimentos em novas centrais de biomassa, bem como a possibilidade de conversão das centrais a carvão ainda em funcionamento para biomassa, como uma das soluções para os problemas da floresta portuguesa.

Mas a organização ambientalista alerta que "este facto pode não só ameaçar a sobrevivência de indústrias que recorrem à floresta como fonte da matéria-prima, como é o caso da indústria dos painéis de madeira, como obrigar eventualmente as empresas a recorrer à exploração insustentável de madeira de primeira qualidade para triturar e queimar para a produção de eletricidade".

Biomassa disponível não chega para cumprir planos do Governo

A estimativa de produção anual de biomassa florestal residual (BFR) em Portugal varia entre os dois milhões e os 5,1 milhões de toneladas por ano, sendo que deste último valor 1,4 milhões e 1,1 milhões são provenientes de pinho e eucalipto, respetivamente. O Plano Nacional para a Promoção de Biorrefinarias, aprovado em 2017, embora refira que se trata de uma estimativa conservadora, apresenta valores de BFR na ordem das três milhões de toneladas por ano, dos quais 44% correspondem a resíduos verdes herbáceos e matos.

Segundo a informação recolhida pela ZERO, as 18 centrais de biomassa exigem uma quantidade de BFR de dois milhões de toneladas anuais para o seu funcionamento em pleno, valor que ultrapassará os quatro milhões na eventualidade de se concretizarem todos os projetos previstos para instalação de centrais até 2019.

A organização acrescenta que "este cenário poderá ser agravado no futuro, a concretizar-se a intenção anunciada pelo Governo sobre a eventual conversão da central termoelétrica do Pego a carvão para biomassa, a acontecer em 2021, e a possibilidade de efetuar a mesma conversão, ainda que de forma parcial, na central a carvão de Sines". Assim, a conversão da Central do Pego exigirá um fornecimento anual superior a um milhão de toneladas de biomassa florestal.

Num cenário otimista de disponibilidade total de BFR de 5,1 milhões de toneladas por ano, "estamos perante um valor que fica aquém das necessidades de consumo expectáveis em 2021", se forem ainda contabilizadas as necessidades de indústrias da fileira florestal como a produção de painéis de madeira ou a indústria de produção pellets para aquecimento, esta última com um potencial instalado para produção de 1,3 milhões de toneladas anuais.

IN: Expresso (3 junho 2018)

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