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Investimento de 20 milhões vê a "luz do sol" em Évora

A energética suíça Axpo e a Hyperion Renewables de João Talone assinalam o início das obras da central fotovoltaica de Vale de Moura, que será "a primeira na Península Ibérica sem subsídios públicos".

O investimento na central fotovoltaica de Vale de Moura, que ocupará uma área de 55 hectares com localização no concelho de Évora, ascende a 20 milhões de euros. A infra-estrutura, que estará operacional em meados de 2019, terá uma capacidade total instalada de 28,8 Megawatt (MW), com uma produção anual de energia superior a 52 GW/h, o equivalente ao consumo médio anual de quase dez mil habitações.

Este projecto é propriedade do Grupo Mirova, um fundo de investimento francês, está a ser promovido pela Hyperion Renewables – a empresa de energias renováveis de João Talone, ex-presidente executivo da EDP, tem uma participação minoritária (10%) – e vai ser financiado pelo banco BPI. Os detalhes sobre o investimento foram divulgados esta segunda-feira, 28 de Maio, estando agendada para estar tarde uma cerimónia para assinalar o início das obras, com a presença do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

"Trata-se da primeira central fotovoltaica de toda a Península Ibérica que conta com financiamento bancário, que não receberá qualquer tipo de subsídios públicos e que surge no seguimento de um contrato pioneiro de compra de energia a longo prazo", sublinha a convocatória partilhada com a imprensa. Em causa está o acordo PPA ("Power Purchase Agreement") firmado com a energética suíça Axpo para a compra da produção de electricidade, durante dez anos, desta central solar alentejana, actuando depois como agente vendedor desta energia no mercado ibérico de electricidade (MIBEL).

Como sublinhou ao Negócios o director-geral da Axpo Iberia, Ignacio Soneira, quando foi conhecido este acordo em Janeiro, esta "é uma operação muito importante (…) porque significa que já é rentável construir centrais fotovoltaicas sem tarifa garantida e com os preços actuais do mercado". "Se não houver um acordo PPA, é muito difícil que um banco financie estas centrais", completou, em referência a esta garantia de estabilidade das receitas para o produtor, que assim não fica sujeito às oscilações dos preços no mercado.

"Luz verde" a seis centrais

Esta central fotovoltaica de Vale de Moura é uma das seis no Alentejo e no Algarve que receberam luz verde do Governo no início deste ano. Fonte oficial da secretaria de Estado da Energia, liderada por Jorge Seguro Sanches, contabilizou na altura uma potência instalada de 229 MW, e um investimento potencial, a preços de mercado, de cerca de 206 milhões de euros.

Quatro dessas centrais fotovoltaicas serão promovidas pela Hyperion Renewables – tem uma outra em Moura e projectos em Ferreira do Alentejo e Lagos –; e uma delas pela Goldnalco em Alcoutim. A maior neste último lote de centrais aprovadas, divulgadas pelo Executivo socialista, tem uma capacidade de 48,9 MW e é um projecto da Goldiport Solar que ficará situado no concelho de Lagoa, no Algarve.

Até ao princípio de Maio, o Governo tinha já autorizado 29 centrais fotovoltaicas sem tarifa subsidiada, correspondentes a 967 MW de potência instalada, metade das quais (472 MW), com oito centrais, está localizada na região algarvia. O investimento total associado aos 29 projectos está estimado em 740 milhões de euros, de acordo com o Ministério da Economia.

Em 2017, a produção de energia renovável em Portugal representou 42% do consumo do país. Segundo indicou ainda um estudo recente divulgado pela APREN, Portugal exportou 2,7 GW/h de energia no ano passado, o que representa o segundo valor mais elevado de sempre, apenas ultrapassado pelo registo de 2016 (5,1 TWh).

IN: Negócios Online (28 maio 2018)

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