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Mobilidade elétrica avança a alta velocidade por todo o mundo

As conquistas do presente e os desafios do futuro na área da mobilidade elétrica foram debatidos nas Plug in Talks, organizadas pela Efacec. A empresa reuniu parceiros nacionais e estrangeiros na nova fábrica da Maia.

A mobilidade elétrica veio para ficar e a Efacec - líder mundial na produção de carregadores elétricos rápidos e ultrarrápidos - juntou vários parceiros nacionais e internacionais para debater os desafios que enfrentam os vários agentes envolvidos nesta "revolução elétrica". Empresas de infraestruturas, construtoras automóveis, universidades e autarquias, todos querem estar na linha da frente de um futuro que já é presente.

Pedro Silva, diretor da área de mobilidade elétrica da Efacec, foi um dos primeiros oradores das Plug in Talks e passou em revista os dez anos de trabalho que a empresa já leva nesta área. "Começámos a olhar para a mobilidade elétrica em 2008 e, nessa altura, ainda não havia veículos elétricos à venda no mercado", explicou, destacando a evolução da empresa desde a instalação do primeiro posto de carga rápida da Europa - em Oeiras, em 2010 - aos carregadores sem fios (wireless) que estão agora a dar os primeiros passos.

A integração de cabos refrigerados que permitam continuar a aumentar a potência da rede, a segurança de dados e os certificados digitais para identificar o veículo perante a rede são algumas das apostas para o futuro, de uma empresa que integra grandes projetos mundiais como o consórcio europeu de fabricantes automóveis, que vai instalar estações de carga ultrarrápida nas principais autoestradas da Europa.

Entre os parceiros europeus da Efacec está a Allego, uma empresa holandesa que cria pontos de carga elétrica inteligentes, que permitem ao utilizador carregar o respetivo veículo quando e onde quiser, seja seu ou esteja a ser usado por si. "Estamos no ponto de viragem de um mercado de nicho para um mercado de massas", evidenciou Anja van Niersen, CEO da empresa criada em 2013 com o objetivo de contribuir para um mundo com emissões de carbono zero. Van Niersen destacou também a mudança de paradigma que se vem a afirmar relativamente ao automóvel privado, em que o "utilizar" ganha terreno sobre o "ter".

Aposta nos serviços

Esta mudança de paradigma tem sido um dos principais desafios dos grandes fabricantes de automóveis, que se têm reinventado para servir o novo consumidor. "Na visão da Volkswagen, o automóvel do futuro será elétrico, autónomo e partilhado. O futuro não está em vender automóveis, mas em vender serviços", defendeu Ricardo Tomaz, diretor de comunicação da SIVA, representante do grupo Volkswagen (VW). Rui Bica, coordenador da BMWi, concorda: "As marcas têm de passar do produto para o serviço." A Now é a marca associada aos serviços de mobilidade da BMW, que já tem a operar em Lisboa, em parceria com a Via Verde, o serviço de carsharing (carro partilhado) DriveNow. Também o Grupo PSA, da Peugeot e Citroën, tem investido nos serviços. "No grupo PSA já pensamos em termos de mobilidade e não em termos de automóveis", explicou Jorge Teixeira Magalhães, diretor de comunicação da PSA, que em 2016 criou a plataforma de mobilidade Free2Move.

Para ligar os automóveis aos serviços, a Volkswagen criou a MEB, a plataforma de mobilidade do grupo que funcionará como um ecossistema. A marca prevê lançar, em 2020, o VW I.D., em que o proprietário do veículo poderá contratualizar serviços como aumentos de potência ou faróis especiais pelo telemóvel e apenas para determinado período de tempo. "A maneira de vender serviços vai ser o futuro da indústria automóvel", salientou Ricardo Tomaz. O I.D. Tera, com 400 quilómetros-base de autonomia, é o próximo passo.

O tema das baterias dos veículos também foi abordado nas Plug in Talks, com Helena Braga, investigadora da Universidade do Porto e da Universidade do Texas, a apresentar a bateria inovadora que desenvolveu. Com recurso a elétrodos sólidos e sem eletrólito, esta bateria é mais segura, menos poluente e tem maior capacidade de armazenamento. "Fazemos estes estudos para que empresas como a Efacec utilizem esta inteligência e lhe deem escala", salientou. A beneficiar desta "revolução verde" estarão sempre as cidades e os cidadãos.

IN: Diário de Notícias (14 fevereiro 2018)

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