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Os eléctricos são mais amigos do ambiente, mas…

A European Climate Foundation afirma que os veículos eléctricos são duas a três vezes melhores para o ambiente, considerando o ciclo completo, mas há muito para fazer e evoluir. Ideias não faltam.

Um conjunto de entidades lideradas pela European Climate Foundation (ECF) realizou um estudo, em França, para avaliar o impacto dos veículos eléctricos no aquecimento global. Considerando todo o ciclo de vida dos veículos, da produção da energia (ou extracção do petróleo) à construção das baterias (ou a refinação e transporte do crude), passando pelas emissões durante a utilização e posterior abate, concluiu esta fundação independente, que visa propor soluções para melhorar o clima e ultrapassar as necessidades energéticas, que os veículos eléctricos causam um impacto duas a três vezes inferior aos que recorrem a motores de combustão.

Ninguém põe em causa que, para os veículos eléctricos, nem tudo são rosas no que respeita ao ambiente. É claro que importa a origem da energia com que se carrega nas baterias, sendo ideal que seja proveniente de fontes não poluentes, mas é a produção das próprias baterias que gera um volume considerável de emissões, “cerca de 40% das produzidas durante toda a vida dos modelos”, conclui a ECF, afirmando que “o impacto dos veículos eléctricos pode ser reduzido entre 20 e 25%, com a melhoria da eficiência no aparelho produtivo até 2030”.

Se a poluição resultante da produção dos acumuladores apenas se irá reduzir quando estiverem disponíveis novas tecnologias – das baterias sólidas, que já existem, mas ainda não nos automóveis, às de grafeno –, é substancialmente mais fácil, no curto prazo, concentrarmo-nos na produção de energia, substituindo as formas convencionais e poluentes – a França ainda depende muito do nuclear, tal como a Inglaterra do carvão – por outras sustentáveis, da eólica à fotovoltaica, passando pela hidroeléctrica.

A ECF defende que, apesar das consideráveis vantagens para o ambiente que os veículos eléctricos já oferecem, elas podem ser ainda mais potenciadas com a adopção de soluções como vehicle to grid (V2G), já a funcionar na Dinamarca e, em breve, no Reino Unido. O objectivo é estabilizar a rede de energia durante os períodos de pico, desafiando os condutores de carros eléctricos a comprar energia de noite, quando é pouco solicitada, e logo barata, para depois vendê-la quando ela é mais cara, caso não seja necessária para as suas deslocações.

Outra solução apontada pelo estudo é a reutilização das baterias para construir sistemas de armazenamento doméstico – ou empresarial –, mais uma vez para levar os utilizadores a carregar os acumuladores durante a noite, para depois utilizar essa mesma energia durante o resto do dia, ou até para carregar o seu veículo eléctrico, caso tenha energia excedentária. Tanto o V2G, como o armazenamento doméstico, vão contribuir fortemente para evitar crises na rede eléctrica, sendo que podem igualmente gerar receitas para os utilizadores se for criado um diferencial entre o preço de compra e de venda à rede. Isto para além de permitir, em condições normais, que toda a energia utilizada seja acumulada quando ela é mais barata, com óbvias vantagens para a carteira de cada um.

IN: Observador (4 fevereiro 2018)

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