Destaques

Sem edifícios de balanço zero não há Acordo de Paris, diz WorldGBC

Em 2050, todos os edifícios, novos e existentes, devem ser de balanço de carbono zero, recomenda o World Green Building Council (WorldGBC). O objectivo definido pela entidade mundial assume-se como uma condição sem a qual será impossível cumprir o Acordo de Paris e, assim, evitar que o aumento da temperatura global ultrapasse os 2º C.

A conclusão consta de um novo estudo do WorldGBC, From Thousands to Billions - Coordinated Action towards 100% Net Zero Carbon Buildings By 2050, no qual se estima que, a nível global, existam apenas 500 edifícios de serviços e 2000 edifícios residenciais de balanço zero – ou seja, edifícios de elevado desempenho energético que geram ou forneçam a energia de que necessitam para operar a partir de fontes de energia renováveis no sentido de alcançar um balanço nulo de emissões de carbono.

Os números acima representam menos de 1 % do parque edificado global, o que implica um esforço grande e coordenado das empresas, governos e organizações não governamentais (ONG) para aproximar este cenário dos objectivos necessários.

Neste cenário, a recomendação do WorldGBC é que, em 2030, todas as novas construções passem a ser edifícios de balanço de carbono zero, assumindo-se essa como uma norma em vigor o mais rapidamente possível para o sector da construção. Já no que toca ao parque edificado existente, o desafio é bem mais complexo, alargando-se, por isso, o prazo até 2050.

Para além de introduzir novas regras para construir melhor de raiz, alcançar estes objectivos vai também exigir um aumento do ritmo da reabilitação energética dos edifícios existentes. Com base no relatório, seria necessário um aumento de 3 % na taxa de reabilitação anual, que, actualmente, não chega a 1 %.

Segundo dados da Agência Internacional de Energia, a área construída em todo o mundo é hoje de 223 mil milhões de metros quadrados, mas deverá quase duplicar até 2050, prevendo-se que alcance os 415 mil milhões de metros quadrados.

Para além dos benefícios no combate às alterações climáticas, uma transformação desta magnitude no parque edificado representará também a criação de empregos, o aumento da segurança energética e a redução de custos com a energia, aponta o documento.

“Se queremos evitar os piores impactos das alterações climáticas, precisamos de nada menos do que uma transformação extrema e ambiciosa de um mundo com uns milhares de edifícios de balanço zero para um mundo com milhares de milhões [desses edifícios]”, exclamou Terri Wills, CEO do World Green Building Council. “Empresas, governos e ONG têm a chave para esta transformação, mas têm de se comprometer com uma acção agressiva. É possível criar um mundo no qual cada edifício gera zero emissões, mas temos de começar hoje”, conclui.

IN: Edifícios e Energia (21 junho 2017)

FreshJoomlaTemplates.com
Friday the 24th. TESTE